Apresentação

Em nome do meu colega Fábio Alves da Silva Junior, da UFMG, e em meu próprio, tenho o prazer de trazer a público este conjunto de quatro textos, fruto de um painel intitulado “Os caminhos da institucionalização dos Estudos da Tradução no Brasil”, que organizamos no GT de Tradução da ANPOLL e que foi apresentado por ocasião do XXI ENANPOLL, realizado na PUC-SP em julho de 2006.

A proposta da então Coordenação do GT para o biênio 2004-2006 – Fábio na condição de Coordenador e eu na de Vice-Coordenador – tinha por base a idéia de retraçar, ao menos em parte, um quadro das matrizes teóricas e metodológicas que marcaram o início da trajetória de institucionalização dos Estudos da Tradução no Brasil, entendida esta releitura do passado como a tentativa de oferecer aos pesquisadores elementos que possibilitassem uma melhor visualização das transformações pela qual passou este campo disciplinar nas últimas quatro décadas. Paralelamente a isso, mas não menos importante, importava-nos, também, fazer jus ao trabalho pioneiro de colegas e instituições que, nos anos de 1970, se dedicaram a encontrar um espaço institucional para a tradução.

Nossos convidados para integrar esse painel foram os colegas Márcia Martins, da PUC-Rio, Maria Paula Frota, também da PUC-Rio e Adauri Brezolin, do UNIBERO.

Em seu texto intitulado O GT de Tradução da ANPOLL: história e perspectivas, Maria Paula apresenta-nos uma reflexão aguçada que, além de recuperar com riqueza de detalhes a trajetória mesma de nosso GT, coloca indagações que, certamente, merecerão a atenção dos integrantes do grupo nos próximos encontros. Em Quatro décadas de tradução na PUC-Rio: 1968-2006 e em A institucionalização dos Estudos da Tradução no Brasil: o curso de Letras, Tradutores e Intérpretes do Unibero, Márcia Martins e Adauri Brezolin, respectivamente, falam dos primeiros anos dos Cursos de Tradução em suas instituições – a PUC-Rio, cujo início do curso data de 1968, e a Faculdade Ibero-Americana (hoje UNIBERO), em que o Curso de Tradução iniciou suas atividades em 1972. Quanto a mim, procuro apresentar uma leitura dos pressupostos teóricos e da produção docente e discente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP nos anos de 1970, década em que foi implantado o Curso de Tradução da Universidade de São Paulo (1978), destacando a interação entre esse entorno e os objetivos do Curso à época.

Esperamos, com isso, prestar uma contribuição à historiografia dos Estudos da Tradução no Brasil, no que respeita especificamente aos cursos de formação de tradutores. Mais importante do que os textos que ora trazemos a público, porém, é a interação que estamos dispostos a manter com nossos colegas pesquisadores de todo o Brasil. Para isso, colocamo-nos ao seu inteiro dispor, pois só assim – estamos certos – teremos condições de preencher as lacunas que inevitavelmente aparecem no trabalho isolado ou de pequenos grupos.

São Paulo, janeiro de 2007
João Azenha Junior